sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Obsidianas IV

feliz natal.

Teu nome soa e ressoa
é difícil pronunciá-lo
até hoje eu só uso adjetivos
e pronomes pra me referir a você

eu não sei exatamente
mas as cinzas ao vento
e a falta de um lugar em casa
a falta do quarto copo
do quarto prato
do outro quarto
de responder três 
ao invés de quatro 
para "mesa pra quantos?"
me arrancam pedacinhos
aos pouquinhos. 

em memória
que memória? 
vejo sorrisos em fotos
relembro histórias
manias
dúvidas
mas o som da tua voz
ao longe parece que esvai
eu vejo os olhos para tentar
ouvir mais alto
mas parece que tá indo embora.

não tem gerúndio.
não houve morrendo.
apenas a ação consumada
a colher no chão
a pele cada vez mais
fria. 

a tua ausência
é uma das coisas mais 
presentes que já senti
e a tua existência
foi o melhor presente
que recebi. 

(desculpa se parece que escrevo com pesar
mas é só com alegria e saudade
que eu falo de você:
então não confunda textos sobre saudade
com os que escrevo sobre ti) 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Obsidianas III

quando me deparo
com a impossibilidade de
me imaginar  com 40 anos
e você um pouco mais novo
a porrada




vem






meu maior medo é esquecer tua voz.
tua gargalhada.








eu ainda lembro que teus olhos não fecharam
na última vez que te vi.






você me viu?






me perdoa
prometi não chorar
mas tem dia que é
simplesmente
humanamente
impossível.






te amo.






eu ainda lembro do
barulho da colher despencando
da tua mão no corredor
os gritos





mas não consigo lembrar
da tua voz.

Falando nisso.

é tão estranho
tratar-se para doenças
crônicas
pois crônica
era algo que eu sempre
quis saber escrever
quando eu lia a veja rio
aos 10
e achava que ser
"escritora de revista"
um máximo
no máximo estou eu
em volume
em temperatura
em intensidade
é como um cabo
que resiste à tensão
e desafia as leis da física
sem se romper
rompo, transbordo
prefiro ser
do que não
prefiro sentir
a me entorpercer
com as drogas da moda
mas que droga
o telefone toca
podia ser você
você que me rouba beijos
até nos meus sonhos
na praça
entre as músicas
éramos tão reais
que nos tornamos
impossíveis.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Como você não vê?

eu sorrio
ainda estou bem ao seu lado
você não vê?
como estive nas últimas décadas
até dentro de você.
eu sorrio
como você não vê?
te pergunto se
você quer um chá
um chocolate
um beijo
ou um queijo
mas você não me escuta.

quer dizer
escuta:
meus resmungos
minhas bufadas
e grita:
mas esse mau humor não se acaba?
eu digo que não é isso
mas você não acredita
como você não vê?

eu sorrio
pergunto como você está
e se você comeu
você joga algumas palavras ao vento
eu te digo que te amo
mas o sinto-sua-falta está preso na garganta
você não entenderia
eu estou bem aqui, você diria
eu também e ainda assim:
sinto-sua-falta.

sinto-a-falta-da-sua-proteção
do-afago-no-cabelo-e-de
como-você-dizia-que
eu-era-ótima-e-que-tudo-ia
ficar-bem. (*)

eu sorrio
tristonha
pois sinto falta do seu
sorriso
e da tua gargalhada
choro quando lembro dela
porque faz esse tanto de tempo

eu sorrio
desesperada
o tempo se esvai
tic tac
as tuas rugas aparecem
mas você continua linda
mais que demais.

eu sorrio
porque talvez você
um dia enxergue o
sopro de esperança e de
vida que tento carregar
por favor, não deixa de comer.

me perdoa
se eu não posso fazer as coisas
ficarem bem de novo
tenho medo da tormenta
o que eu fiz de errado?
tento te ganhar de novo
com chá, com chocolate, com amor.
eu sou o que sou
e às vezes sinto que sou o pior
porque eu não te vejo mais sorrir
e se eu não sorrir
seremos dois a chorar pra sempre.

(*)nãovaimaisné?

sábado, 6 de agosto de 2016

Martim.

ei, você
para com esse papo
de achar que pode vir aqui
falar o que bem
achar que é bacana.

para com essa história
de me ligar
e pedir para eu
aparecer
e você
simplesmente não.

ei, você
para com esse sorriso torto
esse teu jeitinho de
sou muito importante
para sequer estar aqui.

para com esse negócio
de me mandar mensagem
às duas da manhã
perguntando porque
eu não estou lá.

acho que teus atos
respondem às suas perguntas.

sábado, 21 de maio de 2016

Dois pontos.

às vezes o farol do
carro que vem
do outro lado da rua
é forte demais:
eu deveria ir ao
médico

o sinal piscante
de madrugada
me lembra
pra não ir devagar
pois eu sempre pensei
em escrever sobre
a cidade em que vivo:
no entanto
já faz doze anos

eu gosto de
quando bons
amigos decidem
que namorar
é uma boa ideia:
o amor deles
me aquece
o coração

eu sinto
muito
pelos corações que
despedacei
e me pergunto:
por que a gente
não gosta de quem gosta
da gente?

aindalembrocomovocêodiavaosversoscurtosfaltaderitmonosmeustextos