quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Um Anel.

A cada dia,
eu ficava mais magra
meus dedos mais finos, fraca.
E de tão pequena que eu ficava,
como o anel que você me dera,
o amor já não cabia em mim.
Me alimentava de amendoim
na madrugada, na espera.
Até poderia escrever outra poesia
mas era só agonia
e já me faltava energia.

Mas o anel eu usava
achando que se eu guardasse ele ali
todos os dias, tão perto de mim faria diferença,
mesmo quando você pegava o seu amor
e jogava para longe de ti.

E é difícil acreditar assim.
Enquanto o anel escorregava e se ia
e eu botava ele de volta
sabendo que uma hora,
assim como você,
o perderia sem saber onde,
como, quando ou porquê.

domingo, 24 de agosto de 2014

In memoriam II.

Aqui jaz outro texto
perdido entre a
louça pra lavar,
o banho pra tomar
e a reluta de escrever sobre você
mais 
uma
vez. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Questão de tempo e verbo.

que nem um conto de romance ardente
curto e direto
fomos tudo. 
e depois
digo, 
agora
somos 
apenas
nada. 

que nem fantasma;

queria poder dizer que somos "só"(isso)
mas nem isso. 

sábado, 16 de agosto de 2014

Mau funcionamento.

minha privada quebrou
não consigo fazer com que a bosta
vá embora.

minha cabeça parou de funcionar
não consigo mais mandar
no meu coração.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014

Garrafas coloridas.

a luz que sai do som que faz tuntztunz na batida do funk reflete nas garrafas vazias meio tortas em cima da mesa. meio tortas que nem aqueles que beberam delas. líquidos relaxantes, líquidos com gosto de limão. são três e meia da manhã e ninguém se entende mais. a garota desce até o chão, o garoto observa a outra menina pequena quieta do outro lado do salão.  faz frio numa noite de início de agosto. normal pra época. mas ela jura que até seus ossos estão gelados enquanto todo mundo está suado e se divertindo. o vinho não esquentou o suficiente. sentiu saudade de um aquecedor esquecido num quarto quase vazio de cascais. sentiu falta de um par de mãos, não quaisquer, mas aquele, para segurá-la na primeira vez que ia passar uma noite sozinha em casa com os pais em outra cidade. ele estava longe em outro bar da cidade falando de planos que passavam longe dela. um rosto familiar na festa larga mais um copo junto aos que estão perto da luz que rima com o tunztunz de uma música super trash dos anos 90, é o tchan, segura o tchan, é a dança da mãozinha, olha o samba, vem comigo.

o garoto com um sorriso torto, cabelos pretos e queixo comprido se aproximou. os dois sabiam que eram um erro mas foram mesmo assim e aí amanhã talvez não trouxesse tanto arrependimento. empurrou ele quando se entediou. ela já tinha experimentado aquilo vezes demais para tirar qualquer coisa proveitosa. era bom, mas ela estava cansada só de "bom". queria um excelente, A+, dez, como foi uma vez. virou as costas. claro que não era pra sempre. sempre tinha mais quando era com eles. a menina quieta e pequena voltou para casa sozinha com saudade do aquecedor de cascais. o telefone tocou mas o nome no visor do telefone exageradamente caro tinha uma a letra mais do que ela queria que tivesse. "são quase seis, vai dormir" "passo aí te deixo o pão, faz um café". fazia frio. acendeu uma vela no quarto. foi dormir. talvez pra aquecer o quarto, talvez para tacar fogo na casa, talvez para rezar por seus desejos sujos, talvez para sentir um pouco de vida quando se sentia tão

es...va...zi...a...da.