quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Libertà.

Nem tudo está a mão, assim tão perto. Longe, os lábios de outrem me trazem conforto: não tem conserto. Tudo é incerto, tem que ficar esperto, depois não adianta dizer que ficou boquiaberto, perplexo, reflexo. Sem você a vida é um deserto, mas alguém já lhe falou isso, de certo. Aliás, minha vida virou acerto, amor e retrocesso; coberta de pontes e sonhos abertos. Desperto: um amanhã será descoberto, cheio de aperto, liberto.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

versão curta: p.s. volta logo

No cartão postal que eu escrevi tinha um bando de palavra embaraçada e tinta borrada. Cartão postal é um negócio meio demodê. "Sinto sua falta, quando você volta, cadê você?" é o cúmulo do cúmulo do clichê.  Não, meu cartão não tinha tantas rimas. Talvez, se tivesse, teria ecoado mais no coração que está do lado de lá do atlântico, no lado de cima do Equador, que mal se tocou. 

Meu cartão postal era muito mais do que qualquer telefonema, qualquer mensagem de celular. Ele demonstrava que eu estava muito além do momento. O "eu te amo" valia por mais de duas semanas. A parte mais difícil de se estar longe não é não saber onde está, com quem está - mas é não saber o que será. 

Quando eu escrevi aquele cartão postal, eu tinha visto um cd na mesma livraria-café que me lembrava o destinatário. Era um álbum velho, cantor dos anos 90, todo empoeirado. She was heartache from the moment that you met her. Meu amor cresceu ouvindo os acordes daquele cd… it goes like this, the fourth, the fifth… e teve seus altos e baixos, the minor fall and the major lift, e nada foi o mesmo de novo. 

Meus amores se foram que nem vendaval. Apareceram e sumiram que nem a última canção da moda. A maioria dos meus cartões postais se perderam no meio do caminho, que nem aquela ligação que tardou tanto, tanto, que chegou tarde demais. Não recebi nenhum cartão de volta, tal e qual a ligação que eu tanto esperei. Noites são longas, mas a vida não. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Plano paralelo de amores (des)iludidos.

Eu imaginava a gente assim, como um daqueles casais que não sabiam ao certo quando tinham se apaixonado, mas achavam a história de como se conheceram divertidíssima. Gosto de pensar que teríamos sido aqueles casais que se encaram, com um sorriso desconsertado pela manhã, seja depois de uma briga ou por causa de uma noite tórrida, como se o mundo lá fora parasse, não importasse, sei lá. Queria que nós fossemos aquele par que as pessoas olhariam e diriam "poxa, se esses aí não derem certo, eu não acredito mais em amor!". Você me perguntaria como foi meu dia e eu entenderia seus problemas do escritório. Até mesmo sua mãe gostaria de mim. De manhãzinha, você me olharia lavando a louça, enquanto eu roço um pé no outro, falando com os pratos e confabulando com as bolhas, você gentilmente esperaria eu terminar pra me dar um beijo de bom dia, boa noite ou qualquer outro motivo sem noção. Seríamos o tipo do casal que não cairia na rotina, no comodismo. Acho que viajaríamos o mundo, que tomaríamos vinho tinto depois de um dia difícil. Não haveria problema grande demais que não pudéssemos resolver. Gosto de acreditar que você seria o homem que me convenceria a ter filhos, que a nossa casa talvez não fosse no melhor bairro da cidade, mas seria o melhor lugar do mundo porque seria a nossa casa. Gosto de pensar que a gente teria aprendido não a ignorar nossos defeitos, mas a conviver belamente com eles. A distância nos tempos de adolescência nos ensinaria a não sermos doentios, mas jamais deixaríamos nosso amor ser racional. Gosto de pensar que teríamos um amor velho, de mil anos, mesmo sendo juvenalmente apaixonados. As injustiças do dia a dia não importariam muito ao seu lado. Gosto de acreditar que se tivéssemos dado tempo ao tempo, teríamos dado brilhantemente certo. 

Hoje, vejo que não precisaríamos de plano ou ilusão alguma. Bastaria acreditar que, de alguma forma, éramos maior que tudo que pensávamos.

(Não fomos)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Briguei com a rosa.

Me assusta que eu tenha a rosa mais bonita do jardim nas mãos e ainda assim não tenha perdido o desejo insano dos homens de destruir e arrancar, uma por uma, cada pétala. E me dá dó, que logo você, meu amor, se pareça tanto, mas tanto com a última rosa da minha jardineira.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Dificílimo.

Difícil. 
Dificies. 
Difíceis. 

E se eu não quiser escrever sobre plural de problema difícil nenhum?

Se eu não souber escrever,
não pode acontecer.
Né?